| Reino: | Animalia |
| Filo: | Chordata |
| Classe: | Aves |
| Ordem: | Passeriformes |
| Subordem: | Tyranni |
| Infraordem: | Tyrannides |
| Wetmore & Miller, 1926 | |
| Parvordem: | Tyrannida |
| Família: | Rhynchocyclidae |
| Berlepsch, 1907 | |
| Subfamília: | Todirostrinae |
| Tello, Moyle, Marchese & Cracraft, 2009 | |
| Espécie: | T. cinereum |
O ferreirinho-relógio (Todirostrum cinereum), ou simplemente “relógio”, é uma ave passeriforme da família Rhynchocyclidae.
Recebe este nome comum de ferreirinho-relógio devido a seu canto, que lembra o ato de dar corda em um relógio. É também conhecido como relógio, sebinho-de-dorso-cinza, sebinho-relógio, isquirrite, sibite e reloginho.
Seu nome científico significa: do (latim) todus = pequeno pássaro mencionado por Platão e Festus, não devidamente identificado mas associado a um pintarroxo, ou referente ao gênero Todus (Brisson, 1760), (pela forma do bico); e do (latim) cinereus, cinereum = cor de cinzas, da cor das cinzas. ⇒ Pequeno pássaro cor de cinzas. “Grey and Yellow Flycatcher” of Edwards (1751) (Todirostrum).
O vivo contraste entre o cinza-azulado escuro da cabeça com a parte ventral amarela chama a atenção quando observado. O restante das partes superiores é lavado de tom oliváceo, enquanto as penas longas das asas são bordejadas de amarelo. A cauda é escura, mas, vista por baixo, nota-se que as penas laterais possuem uma grande área branca na ponta. Os olhos são amarelo-ouro, destacados contra a área mais escura da parte frontal da cabeça, quase uma máscara. Bico longo e chato, escuro e também notável. Mede 8-10 cm de comprimento e pesa cerca de 4-7,5 gramas.
O dimorfismo sexual é pouco aparente, restringindo-se a uma marcação esbranquiçada discreta no píleo, para as fêmeas (segundo Sigrist).
Possui oito subespécies:
As duas espécies, ferreirinho-relógio e teque-teque são bastante parecidas, distinguindo-se por detalhes sutis na coloração da plumagem, dos olhos e na coloração das retrizes (cauda).
Diferenças entre as espécies.
As iris são de coloração distinta. Em um ferreirinho-relógio (T. cinereum), a coloração da íris é amarelo pálido, já em um teque-teque (T. policephalum) a coloração da íris é amarelo-alaranjado ou amarelo-ouro.
Os lores também são distintos, apresentando uma mácula loral de coloração amarela. A mácula loral amarela de um ferreirinho-relógio (T. cinereum) é menos pronunciada, podendo inclusive não estar presente. Quando presente, sua forma se aprenta mais linear. Esta mácula loral amarela do ferreirinho-relógio (T. cinereum) parece estar associada ao sexo do indivíduo. Em um teque-teque (T. policephalum) esta mácula loral amarela é maior, mais larga e está sempre presente.
As auriculares também apresentam coloração distinta. No ferreirinho-relógio (T. cinereum) a coloração da região auricular é acinzentada, e em um teque-teque (T. policephalum) a coloração desta região é cinza-olivácea.
A cauda do (T. cinereum), quando vista por cima, apresenta retrizes de coloração cinza-escuro quase pretas e a cauda de um teque-teque a coloração é de cinza-olivácea com as bordas externas amareladas. Quando vistas por baixo a diferença se apresenta mais claramente, o ferreirinho-relógio apresenta as retrizes inferiores de coloração branca enquanto que em um teque-teque estas retrizes brancas não são encontradas.
Alimenta-se de dípteros e lepidópteros (Hesperiidae – Urbanus sp.) e outros. Ativo o dia inteiro, caça invertebrados no meio das folhagens da copa e baixa até 2 metros do chão.
Reproduz de julho a novembro. Constrói um característico ninho pendurado na ponta de galho fino, feito de restos de folhas, galhos finos e secos e painas. Amarra e entrelaça os galhos secos, as folhas e as painas, que vão ser forradas dentro do ninho para aquecer os filhotes. As folhas ficam por fora camuflando o ninho e os galhos são usados para deixar firme a estrutura do ninho. O material é colocado úmido e as partes aderem entre si, ao secar. Parte do material fica pendente, camuflando o ninho. Esse material são as folhas e alguns galhos que não só camuflam mas aquecem os ovos ou filhotes e deixam mais firme o ninho. Característica entrada lateral com pequeno telhado protegendo. Muitas vezes, o material de um ninho velho próximo é retrabalhado para a reprodução seguinte. Surpreende a resistência do ninho, aguentando chuvas fortes e ventos. O ninho é muito bem trancado e não deixa a chuva entrar e nem o frio, é tão fechado que se você o abrir sentirá sair calor de dentro dele; o calor mantém os filhotes vivos sem passar frio, que normalmente são de 2 a 3. Esse ninho tão bem feito, na maioria das vezes é grosso e tem em média de 1 a 2 cm de espessura, dependendo do clima é mais grosso ou mais fino, dando a temperatura certa para os ovos e filhotes.
Característico de ambientes mais abertos, não ocorre em áreas extensamente florestadas, sendo muito comum em cidades. Vive escondido no meio da vegetação baixa e apresenta comportamento característico de movimentar a cauda lateralmente.
O canto origina o nome comum, parecendo com um relógio de mesa quando se dá corda. Canta o ano inteiro, bem como nas horas quentes do dia. O casal responde um ao outro, também aproximando-se de uma gravação do canto. É encontrado em áreas urbanas pouco ou bem arborizadas dependendo do local.
Gosta muito de habitar a árvore ficus benjamina, onde vai de uma para a outra. Nessa árvore constrói seu ninho. Vive solitário ou aos pares.
A distribuição da espécie Todirostrum cinereum ocorre do México à Bolívia, ao Brasil e às Guianas.